A cadeia produtiva de extração de gemas e a cadeia de extração de rochas ornamentais apresentam diversos paralelos estruturais, técnicos e econômicos, apesar de atenderem a mercados finais distintos. Em ambos os casos, trata-se de atividades inseridas no setor mineral, nas quais o conhecimento geológico, o planejamento da exploração e o controle das etapas produtivas são fundamentais para garantir viabilidade econômica, qualidade do produto e sustentabilidade da atividade.
O processo produtivo de ambas as cadeias inicia-se com um estudo preliminar e a pesquisa geológica, etapas responsáveis pela identificação de depósitos mineralizados e pela avaliação de seu potencial econômico. Tanto na extração de gemas quanto na de rochas ornamentais, são analisadas a composição mineralógica, a estrutura do corpo mineral e as características físicas e estéticas do material. Esses fatores influenciam diretamente as decisões sobre a viabilidade da lavra e o posicionamento do produto no mercado, uma vez que pureza, cor, padrões visuais e homogeneidade são atributos valorizados em ambos os segmentos.
A etapa de lavra representa outro ponto de convergência entre as duas cadeias. A extração deve ser conduzida de forma planejada e controlada, com o objetivo de preservar a integridade do material e reduzir perdas. Na mineração de gemas, impactos, fraturas ou
técnicas inadequadas podem comprometer o valor do material extraído. De maneira semelhante, na extração de rochas ornamentais, a formação de trincas ou falhas estruturais nos blocos reduz significativamente seu aproveitamento comercial. Assim, em ambos os casos, a escolha dos métodos de lavra influencia diretamente a eficiência produtiva e o retorno econômico.
Após a extração, as cadeias de gemas e de rochas ornamentais passam por processos de beneficiamento que têm como finalidade principal a agregação de valor ao material bruto. No caso das gemas, esse beneficiamento envolve etapas como seleção, corte, lapidação e polimento, que realçam suas propriedades ópticas e estéticas. Já nas rochas ornamentais, o beneficiamento inclui o corte dos blocos, o desdobramento em chapas, o polimento e
outros tratamentos superficiais, visando adequar o material às exigências técnicas e estéticas do mercado da construção civil e do design. Outro aspecto comum às duas cadeias diz respeito aos critérios de qualidade e à formação do valor comercial. Tanto gemas quanto rochas ornamentais têm seu valor determinado pela combinação de características técnicas e estéticas, como resistência, durabilidade, aparência visual e raridade. Além disso, observa-se em ambos os segmentos a coexistência de classificações geológicas e comerciais, que nem sempre coincidem. Muitas vezes, a nomenclatura comercial é adotada para facilitar a aceitação do produto no mercado, mesmo que não reflita com precisão sua classificação científica.
Por fim, as cadeias de extração de gemas e de rochas ornamentais compartilham desafios relacionados à sustentabilidade e à gestão ambiental. A atividade minerária, independentemente do porte ou do produto final, exige planejamento adequado, controle
dos impactos ambientais, recuperação de áreas degradadas e atenção às condições de trabalho. Dessa forma, embora destinadas a aplicações distintas, as duas cadeias apresentam uma lógica produtiva semelhante, baseada na integração entre conhecimento
geológico, tecnologia, mercado e responsabilidade socioambiental.
Feito por:
Giovanna Retz, Lavínia Freire, Maria Clara Moreira e Milena Loureiro; estagiárias da Tresore e estudantes do curso de Gemologia na UFES.
